sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Diário

Não preciso de recuar muitos anos até ao tempo em que guardava para mim as minhas emoções e pensamentos. Aprender a dizer o que sinto é uma das mais valiosas lições da minha vida. Não há palavras para o quanto é positivo e libertador conseguir dizer o que sente à pessoa certa no momento em que se sente. Dou imenso valor a esta capacidade e a esta liberdade, pois até a assimilar e torná-la parte de mim, sofri com a sua ausência.
Uma amiga caminhante uma vez disse-me que todos trazemos para cada vida um número de lições a serem aprendidas e, que o Universo vai-nos dando oportunidades para as aprendermos quantas vezes forem necessárias para tal. Primeiro, manifestando-se de forma subtil e meiga. Mas, enquanto nos forem passando despercebidas as hipóteses para apreender a tal valiosa lição, o Universo vai aumentando gradualmente a intensidade dessas manifestações. De tal forma, que quanto mais distraídos formos, provavelmente só ao bater violentamente com "a cabeça na parede" é que nos daremos conta.
Comigo foi assim. Durante toda a minha vida o meu interior era como um mar revolto. Indignava-me com tantas coisas que aconteciam na minha vida e, mesmo sentido uma urgente vontade de me expressar nessas situações, acabava por guardar tudo para mim mesma, remoendo eternamente situações passadas. Quando atingia um nível de pressão máximo rebentava tal como uma panela de pressão, mas tal nunca trazia a paz interior que julgava atingir se soltasse o que tinha andado inúmero tempo a reprimir. Pelo contrário, trazia culpa pela forma tempestuosa e incontrolada daqueles acessos de raiva.
Passei mais de vinte anos da minha vida assim. É muito tempo para carregar dentro de alguém o veneno dessas dores, raivas e frustações. É impossível agir assim e não acabar por se padecer de envenenamento, como se já não bastasse viver prisioneiro dessa revolta interior.
Agora vejo que o Universo foi colocando cada vez mais oportunidades para eu aprender esta minha lição, porque com cada vez maior frequência e intensidade pessoas gravitavam ao meu redor em inúmeras situações, todas propícias ao meu ensinamento.
Distraída como fui, só me apreendi esta lição quando tive que desistir de um desastroso estágio profissional, e ficar em casa a tratar de um esgotamento. Aí, jurei nunca mais "engolir sapos". Melhor dizendo, comecei a praticar uma nova atitude de franqueza. Atitude essa que consiste em, com respeito e diplomacia, não deixar passar a oportunidade de ser honesta com as pessoas sobre a forma como me fazem sentir, as coisas mais e menos positivas.